O quadro “Christ portant la croix”, do artista do século XVII Nicolas Tournier, foi comprado em 2010 na feira de arte de Maastricht por 400 mil euros pela Weiss Gallery, que tentava este fim-de-semana vender a obra em Paris. Negócio que o ministro da Cultura francês impediu, declarando a proibição de exportação do trabalho, de forma a evitar a saída do país. O Governo francês garantiu que a obra de arte pertence ao Estado francês e por isso não pode ser comercializada, devendo ser devolvida ao país.
“Este trabalho é uma parte inalienável da cultura francesa. Asseguramos que esta obra é propriedade do Estado. Não vai a lado nenhum”, atestou ao The Independent o ministro francês, explicando que a galeria está na posse de uma propriedade roubada.
Para Mark Weiss, responsável pela galeria londrina e bastante conhecido no meio artístico, a acusação do Governo francês “não faz sentido”. “Não existe nenhuma evidencia em como esta obra de arte foi roubada. Muitas pinturas daquele período desapareceram mas isso não significa que tenham sido roubadas”, disse Weiss ao The Independent, acrescentando que comprou o quadro “em boa fé”. “E em boa fé estamos a negociar vendê-lo por um preço razoável ao museu de Toulouse, onde aceitamos que pertença.”
“Christ portant la croix”, pintado em proporções reais, com 2.2 metros de altura por 1.2 metros de largura, foi inicialmente pensado por Nicolas Tournier para a igreja de Toulose, Eglise des Pénitents Noirs, em 1630, onde chegou a estar exposto. Durante a Revolução Francesa, a obra de arte foi confiscada pelo Estado e posta em exposição no museu de Toulouse, de onde desapareceu em 1818. Durante quase dois séculos não se ouviu falar do quadro que apareceu subitamente em Florença em 2009 num leilão da Sotheby’s do coleccionador de arte italiano Salvatore Romano (1875-1955). Na altura a obra não foi identificada como um trabalho de Tournier mas como um “seguidor de Caravaggio”, tendo sido vendida por 57,500 euros.
A obra foi então comprada pelo galerista francês Hervé Aaron, que decidiu fazer um estudo sobre a obra, descobrindo a sua verdadeira autenticidade. Em 2010 levou-a à praça em Maastricht por 400 mil euros. “Eu apaixonei-me logo por ele [quadro] ”, disse ao The Independent Mark Weiss, lembrando que quando comprou a obra, o museu de Toulouse não se mostrou interessado por não aceitar que era o quadro desaparecido de Nicolas Tournier. “O director do museu de Toulouse, Axel Hémery, é um especialista em Caravaggio mas não identificou o quadro naquele momento. Desde então já mudou de opinião e temos negociado nos últimos meses a sua venda.”
Antes do Governo francês reclamar a obra de arte, no fim de semana a Weiss Gallery tinha o quadro à venda por 675 mil euros. “Teria sido um preço justo para um comprador privado. Mas estamos preparados para o vender ao museu de Toulouse por um preço mais baixo”, acrescentou o galerista.
Enquanto a disputa não fica resolvida, o quadro “Christ portant la croix” não poderá sair de França.
