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Obras inéditas de Vik Muniz são apresentadas na Itália

A mostra Matrizes Italianas, de Vik Muniz, foi apresentada à imprensa nesta quarta-feira, em Roma. A exposição vai ser aberta ao público a partir de quinta-feira e poderá ser visitada gratuitamente até o dia 18 de dezembro, na sede da Embaixada do Brasil, na Piazza Navona, em Roma.

A Criação do homem, de Michelangelo, visto e recriado por Vik Muniz. A obra-prima pintada no teto da Capela Sistina, no Vaticano, ganhou contornos modernos vindos do lixo. A obra inédita faz parte da coleção Pictures of Junk, na qual Vik escolhe uma personagem, a contextualiza na história da arte, tira uma foto e depois projeta no chão de seu estúdio. As linhas servem como guia e, assim, a imagem é recriada com materiais que foram descartados. Lixo para a maioria, fonte de inspiração para Vik. Pneus velhos, ferros retorcidos, móveis e aparelhos elétricos. Tudo é transformado em arte.

“A minha leitura tem mais a ver com o fato de que esta obra sobreviveu até chegar a mim, uma pessoa do século XXI, com uma força muito grande, com uma importância na minha história, isso é o que mais me interessa. Mas e o por quê desta imagem ter sobrevivido? Que tipos de significados ela carregou através dos tempos? Mais do que o significado que ela traz consigo, a priori, o mais interessante é como certas obras de arte conseguem ter uma vida através da história porque, obviamente, ela foi submetida a muitas leituras diferentes, de sensibilidades diferentes. Contudo, ela continua a ser uma obra importante nos dias de hoje. Isso para mim é mais fascinante do que o significado ou a simbologia da imagem”, contou Vik.

Outra obra inédita é a versão de Vik para um Caravaggio. Bacchino malato, ou “pequeno deus do vinho doente” numa livre tradução, que faz parte da série Pictures of Magazine 2. Nessa coleção, Vik pega retalhos de livros e revistas, sejam populares ou eruditos, para recriar as obras. Contudo, não é fácil identificar a obra na primeira olhada. Ao acustumar os olhos, o pequeno deus se faz enxergar em meio a uma página de jornal com a foto de Scarlett Johansson ou um pedaço de uma pintura de Gauguin que, no final, assumem a mesma importância no todo.

Durante a coletiva à imprensa, Vik revelou ter ficado preocupado com o local da exposição: a luxuosa galeria Cortona, dentro do Palácio Pamphilj, sede da Embaixada do Brasil. ”Antes de chegar, pensei em como seria a exposição, com as minhas obras misturadas ao ambiente renascentista da galeria. Mas no final, fiquei impressionado com o resultado. É algo que, no mínimo, chama a atenção”, brincou o artista paulista radicado em Nova Iorque.

A mostra Vik Muniz – Matrice Italiane – é uma homenagem de um dos mais reconhecidos artistas contemporâneos brasileiros aos mestres da pintura italiana. A exposição pode ser visitada, gratuitamente, até o dia 16 de dezembro, na Embaixada Brasileira, em Roma.

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