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Rejeitado pela editora nos anos 1950, segundo livro do autor português, prêmio Nobel de Literatura, é lançado pela Companhia das Letras

Normalmente, lançamentos de inéditos após a morte do escritor são controversos. Além de ser razoável supor que um autor – salvo morte repentina – escolhe em vida o que quer deixar como “obra”, muitas vezes o que dá aos leitores acesso a escritos inacabados ou rejeitados são demandas de mercado, e não méritos na narrativa. Claraboia (Companhia das Letras, R$ 46) não chega a se inserir no caso, porque não foi completamente renegada por José Saramago, mas é bom saber, ao ler a obra, que ela não passou pelo crivo do próprio escritor.
O livro, concluído em 1953, seria o segundo do autor – o primeiro é Terra do pecado, de 1947. Depois de oferecê-lo a uma casa portuguesa, Saramago não obteve resposta. Nos anos 1980, já com o sucesso e reconhecimento do português, a editora perguntou se ele ainda tinha interesse em publicarClaraboia. O autor negou o pedido e foi resgatar o manuscrito.
O português havia falado sobre o texto a Humberto Werneck antes de ganhar o prêmio Nobel da Literatura. Na entrevista para a Playboy, chamava Claraboiade “livrinho que está por aí”. O desdém, no entanto, demonstrava mais indiferença em relação à obra do que propriamente desprezo. Perguntado se o título nunca seria publicado, Saramago deixou uma brecha: “Em vida minha, não. Depois, se quiserem...”.
ESTILO 
O livro, não por coincidência, chega às livrarias na semana em que o português completaria 89 anos. Contando a história de seis famílias que moram no mesmo prédio, Saramago se interessa pelos conflitos e tensões dos relacionamentos. Já é um indicativo do laboratório humano que ele criaria com a sua apropriação do realismo fantástico, capaz de prever o comportamento e o pensamento das pessoas nas mais absurdas situações.

Utilizando os recursos da narrativa realista, Saramago está interessado no que se passa na mente dos personagens. O enredo é cansativo e tem algo de novelesco, mas, nos poucos momentos em que consegue mergulhar na essência humana, é capaz de frases como esta: “Há palavras que se retraem, que se recusam – porque significam de mais (sic) para os nossos ouvidos cansados de palavras”.

fonte:JC

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