A Turnê Brasil da Osesp (Orquestra do Estado de São Paulo) começou segunda-feira, no Teatro Municipal do Rio, e chega ao Recife amanhã, com um concerto imperdível no Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu). A oportunidade é rara e pode não aparecer outra nos próximos três anos, já que a Europa será o destino da maior parte das viagens da Osesp em 2012 e 2013.
O concerto terá a abertura de Sonho de uma noite de verão op. 21, de Felix Mendelssohn-Bartholdy (1809-1847); o Concerto para violino em mi menor op. 64, também do compositor alemão e tendo como solista o violinista Augustin Hadelich, alemão nascido na Itália, de 28 anos, que acumula prêmios importantes e já gravou quatro CDs.
Hadelich se apresenta com um Stradivarius de 1723. O roteiro também traz cenas de Romeu e Julieta, música para balé de Sergei Prokofiev (1891-1953), selecionadas pelo atual regente da orquestra, o francês Yan Pascal Tortelier. É um repertório bastante conhecido e palatável.
“O nosso conceito para a Osesp é uma orquestra brasileira de São Paulo”. Ela tem essa vocação para ser uma orquestra do Brasil, atesta o diretor artístico da Osesp, Arthur Nestrovski, que consolidou o programa da turnê, com dois momentos inspirados em Shakespeare. “O repertório precisa permitir o acesso de um público neófito, mas mantendo o interesse dos especialistas”.
Até 10 de novembro, o grupo de cerca de 90 músicos também passará por Brasília, Goiânia e Curitiba. Já tocou em Salvador e nesta quinta se apresenta em Aracaju. A primeira turnê brasileira da Osesp foi em 2004, por 14 capitais, e a segunda, em 2008, por 12 cidades -Olinda foi a única não capital de estado. Nas duas oportunidades a orquestra tinha a regência de John Neschling.
A Osesp tocará em 2012 peças criadas especialmente por dois músicos populares, Paulo Bellinati e Toninho Ferragutti, e um conjunto de canções de Chico Buarque arranjadas para orquestra por Luiz Claudio Ramos. “Por incrível que pareça, ainda há resistência por parte do público da música de concerto (ao uso de compositores populares), embora pequena. As grandes orquestras do mundo estão fazendo um esforço para apagar essa linha imaginária, porque, afinal, quem tem o classicômetro? E não faria sentido, com a riqueza da nossa música, respeitarmos essas fronteiras que não existem”, afirma Nestrovski.
O crítico e violonista assumiu em janeiro de 2010 para pôr fim à crise em que a Osesp se envolveu com a tumultuada saída de John Neschling. O maestro, que acumulava a direção artística, foi afastado pelo conselho da instituição, presidido por Fernando Henrique Cardoso, após longa briga para se manter à frente da orquestra que liderava, com bons resultados, desde 1997.
A temporada 2012 é a primeira toda concebida por Nestrovski, A grande novidade será a estreia como regente titular da norte-americana Marin Alsop, que também está à frente da Orquestra Sinfônica de Baltimore. Ela tem contrato até 2016. Yan Pascal Tortelier se tornará “regente convidado de honra”. O brasileiro Celso Antunes, professor da Escola de Música de Genebra, será o regente associado. Outras informações sobre o concerto pelo fone 3355-9821.
Serviço
Turnê Brasil 2011, da Osesp
Quando: Sexta-feira, às 21h
Onde: Teatro Luiz Mendonça, Parque Dona Lindu
Quanto: Ingressos: R$ 50
fonte: DP
