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Conheça obras de arte que ensinam sobre a Revolução Francesa

"Liberté, egalité, fraternité!". Foi assim que Jean-Jacques Rousseau marcou aquela que seria considerada a maior revolução burguesa da história. A partir dos princípios de liberdade, igualdade e fraternidade, a Revolução Francesa mostrou ao mundo uma nova forma de pensar a organização da sociedade e deixou um legado importantíssimo para as belas artes: as pinturas realizadas no período e posteriormente a ele representam bem o que foi o movimento.
O acontecimento que deu início à Idade Contemporânea e aboliu a servidão e os direitos feudais iniciou-se em 1789, com a tomada da Bastilha, prisão política do Antigo Regime. Os fatos marcantes e mesmo os traços mais incomuns podem ser observados nas pinturas de artistas como Eugène Delacroix, Jacques-Louis David e Jean-Pierre Louis Laurent Houel.
Saiba quais são as obras mais representativas da Revolução Francesa:
Sans-culotte, de Louis-Leopold Boilly
Este quadro apresenta de forma clara a vestimenta de uma parte importante da sociedade francesa pré-revolução. Segundo Carlos Farias Júnior, professor de História da Universidade Castelo Branco, os sans-culottes eram artesãos, trabalhadores e até pequenos proprietários que viviam nos arredores de Paris. "Eles não usavam os elegantes calções que a nobreza vestia, os culottes, mas uma calça de algodão grosseira", explica. O traje de um típico sans-culotte era composto pelo pantalon (calças compridas), o carmagnole (casaco curto) e sabots (sapatos de madeira), além do barrete frígio de cor vermelha, uma espécie de touca utilizada primeiramente pelos antigos habitantes da Frígia, hoje Turquia.

Marat assassinado ou A morte de Marat, de Jacques-Louis David
Marat assassinado (Marat assassiné) ou A morte de Marat, tela de Jacques-Louis David, retrata o revolucionário francês Jean-Paul Marat, morto em sua casa em 13 de julho de 1793 por Charlotte Corday, membro da aristocracia do Antigo Regime e simpatizante da corrente Girondina, oposta à Jacobina, liderada por Marat. Jornalista, médico e cientista, Marat participou da Convenção Nacional em setembro de 1792, representando o povo da França. Charlotte o apunhalou no peito enquanto o revolucionário repousava na banheira, hábito adquirido devido a uma doença de pele cujas feridas só eram amenizadas em imersão, conta o historiador Carlos Farias Júnior. Feita no ano de morte do multitarefas, a pintura não mostra as chagas de Marat, o que contribuiu para torná-lo um ícone da Revolução.

Tomada da Bastilha, de Jean-Pierre Louis Laurent Houel
A Tomada da Bastilha, ou Queda da Bastilha, é um importante marco da Revolução Francesa que foi reproduzido por Jean-Pierre Louis Laurent Houel. A população francesa invadiu a prisão política do Antigo Regime em 14 de julho de 1789, feriado nacional no país. A fortaleza medieval contava, à época, com apenas sete presos, mas foi o suficiente para mostrar aos monarcas a força que teria a insurreição.

Napoleão Entronizado, de Jean-Auguste Dominique Ingres
Discípulo de David, pintor de Marat Assassinado, Jean-Auguste Dominique Ingres retrata uma das fases finais da Revolução Francesa: o período dominado por Napoleão Bonaparte. A composição da pintura é baseada na estátua colossal de Zeus do templo antigo de Olímpia. O resultado é Napoleão sendo representado como um Imperador-Deus, num efeito grandioso e apropriado aos feitos do reinado do retratado. Napoleão foi imperador da França de 18 de maio de 1804 a 6 de abril de 1814, após assumir o poder com o golpe de 18 de Brumário.

A liberdade guiando o povo, de Eugène Delacroix
A Revolução Francesa não foi a derrota total do Antigo Regime. O triunfo da burguesia e a derrota definitiva da aristocracia absolutista aconteceu com a Revolução de 1830, retratada por Eugène Delacroix em A liberdade guiando o povo. A figura central da tela representa a liberdade vitoriosa, segurando a bandeira do país. Os corpos em que ela pisa remetem à derrota do governo absolutista e as demais figuras são as camadas que, a partir de então, passaram a ter voz na sociedade francesa: os intelectuais e os estratos populares.

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