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Idosa que destruiu obra de arte queria terminar trabalho de pintor espanhol





  Senhora de 80 anos fequentadora da igreja espanhola em Borja, onde se localizava obra de arte, tentou restaurar obra e praticamente a destruiu


A notícia de que uma senhora de 80 anos chamada Cecilia Gímenez teria tentado restaurar uma obra de arte espanhola localizada em Borja, na Espanha, tem chamado atenção da mídia. A Universia Brasil conversou com o presidente do Centro de Estudos BorjanosManuel Gracia Rivas, para entender o assunto.Segundo o representante da casa de arte espanhola, a senhora tinha boas intenções e ainda “queria terminar o seu trabalho de restauração”. Ela era uma voluntária que frequentava o Santuario de Misericordia e, embora muitos se dirijam ao fato como uma restauração, segundo o próprio “foi um desenho bizarro, que mais parece com uma pintura infantil de grafite”. Confira a entrevista:

Universia Brasil: O que aconteceu de fato?
Centro de Estudos de Borja: Nossa entidade é um centro cultural de estudo de história da arte que cuida das obras da pequena, porém, culturalmente falando, cidade de Borja. Essa obra é do século 20 e é de um pintor acadêmico Elias García Martinez, que, aliás, não tinha nem muito incentivo financeiro para pintar. Portanto, a tela não tem um valor artístico muito grande, mas, sim, sentimental, para a família do pintor e para a nossa academia, devido à afinidade que ele tinha com a cidade de Borja.

Universia Brasil: O que acontecerá com a obra?
Centro de Estudos de Borja: Estamos esperando chegar segunda-feira (27) para que a obra seja, de fato, restaurada pelos melhores profissionais espanhóis. A família do autor também quer saber qual foi o material utilizado pela senhora para que a restauração se dê mais facilmente.

Universia Brasil: E com a senhora?
Centro de Estudos de Borja: Não se sabe ao certo o que acontecerá com a octogenária, uma vez que o mais importante da história toda é a restauração da obra. Além disso, é sabido que ela foi imprudente, porém sem más intenções. De qualquer forma, as autoridades vão se posicionar sobre o assunto em breve.

Universia Brasil: Como se deu a “restauração”?
Centro de Estudos de Borja: Na verdade, esse termo usado pela imprensa em geral é errôneo. Isso está longe de uma restauração e até ofende quem trabalha com isso. Na verdade, a senhora fez um desenho bizarro, que mais parece com uma pintura infantil de grafite. Ela começou a pintar a obra dentro da própria igreja, pois ela é um afresco.

Universia Brasil: E deixaram?
Centro de Estudos de Borja: Segundo a própria, o sacerdote da igreja havia dado autorização a ela para mexer na pintura. Porém essa informação não procede uma vez que a pessoa a quem a senhora se referiu não é sacerdote do Santuario de Misericordia e, na minha opinião, acho difícil que um sacerdote pudesse conferir tal permissão, uma vez que estes normalmente são muito prudentes.

Universia Brasil: O que a senhora falou quando viram o estrago?
Centro de Estudos de Borja: Por mais cômico que pareça, ela disse que “ainda faltava terminar, estava inacabada”. Devido a todo esse mal-entendido, nosso blog teve, ontem, mais de 50 mil acessos e hoje, até agora, 30 mil visitantes.

Universia Brasil: E vocês, leitores, qual é a lição que tiram disso?


Homo Ecce, de Elías García Martínez 
Obra Ecce Homo, de Elías García Martínez, antes da tentativa de restauração realizada por idosa de 80 anos. Crédito: Reprodução/El País

Homo Ecce, de Elías García Martínez 
Obra Ecce Homo, de Elías García Martínez, depois da tentativa de restauração realizada por idosa de 80 anos. Crédito: Reprodução/El País